O Mistério da Cruz

Este é o tempo em que a Igreja exorta o povo de Deus a refletir os passos de Cristo em cumprir a vontade do Pai. É o caminhar da esperança para quem aceitar mergulhar no mistério da Cruz. É o brilhar da verdadeira alegria que invade a alma dos cristãos, não importa em que circunstância se encontra, a alegria da cruz é a resposta que abastece o coração.

Sofrimento e prazer: o desassossego do coração da humanidade. Buscamos soluções rápidas para os problemas que nos afligem - é a fuga da dor em nome de um egocentrismo que caracteriza o nosso tempo. Queremos viver em plenitude, mas ofuscamos essa realidade com a nossa necessidade de viver pelo prazer: somos algozes de nossa própria felicidade!!!

Até que ponto podemos suportar a dor? A resposta é: se estamos na vontade de Deus, somos impulsionados, pelo o Espírito, a vivê-la mesmo na dor- nisto consiste a verdadeira alegria. Cristo aceitou a cruz porque descobriu que ela fazia parte do plano Do Pai para a sua vida, um plano de amor que sempre gera vida.

O exemplo de Jesus, a essência da cruz só se pode experimentar pela obediência à vontade de Deus. Quem diz não ao plano do Pai, jamais aceitará o sofrimento da cruz. A alegria da cruz está em aceitá-la como caminho da realização plena da vontade de Deus.

Assim sendo, os açoites, o calvário, a humilhação, deixam de ser apenas um caminho de dor, mas resplandecem a gloria de estarmos como filhos muito amados, na verdade do Pai: “O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contando que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8, 16,17).

É possível se alegrar no sofrimento, se o mistério da cruz envolver a nossa alma...

Deus abençoe você e sua família!


Luiz Antônio de Paula
Fundador da Família Luz da Vida.



Santo Rosário: poderosa arma para vencer o mal!

Eis uma arma poderosíssima para o nosso crescimento na fé, o Santo Rosário! Uma devoção fundamental, uma arma espiritual de riqueza extraordinária que está ao nosso alcance e que muitas vezes ignoramos ou não entendemos. Por isso mesmo é importante descobrirmos que a oração do Rosário é fermento de santidade na vida de quem o reza, alegria de salvação para quem o contempla, e certeza de vitória na batalha espiritual para quem nele persevera.

As vidas de Jesus e Maria penetram na alma devota ao Rosário, por ele a graça de Deus restaura o homem na sua identidade mais profunda, em que a humildade é via eminente de encontro com a vontade de Deus, o servir é uma conseqüência natural de uma ação sobrenatural do amor, a simplicidade e o desprendimento sustentam a piedade, e a obediência da fé revela a sabedoria divina.

A conquista dos bens espirituais é uma realidade presente no coração de quem reza com Maria, a pessoa redescobre os tesouros de sua consagração batismal, renova o sentimento da alma numa experiência viva com o amor de Deus, desperta para o ardor missionário, além de contemplar a riqueza dos mistérios divinos e alcançar a liberdade interior, optando-se por ser toda de Deus.

O mal não predomina na alma que persevera no Rosário, pois se torna sensível à voz de Deus e se fortalece na graça para realizar o seu querer, silenciando o grito pelo pecado e sarando a humanidade ferida. Além disso, apura o discernimento espiritual e potencializa a capacidade de renúncia na luta que se trava contra os inimigos da fé. Experimenta-se ainda uma perfeita compreensão do mistério da cruz, em que se aprofunda nas virtudes da fé, esperança e caridade.Rezemos o Santo Rosário e celebremos a vitória da fé, avançando firmemente no progresso espiritual. Roguemos a Maria, aquela que pisa na cabeça da serpente, para que interceda por nós e nos ajude na vivência desta santa devoção.

Luiz Antônio de Paula
Fundador da Família Luz da Vida.



Adoro Te Devote, Latens Deitas

"Adoro-Vos com devoção, Deus escondido, que sob estas aparências estais presente".

Assim, Santo Tomás de Aquino inicia o hino composto em honra do Santíssimo Sacramento a pedido do Papa Urbano IV para a festa de Corpus Christi.

Nessas sublimes palavras, o Doutor Angélico condensa qual deve ser nossa atitude perante o sacrifício eucarístico, “fonte e centro de toda a vida cristã ”, como nos ensina o Concílio Vaticano II.


Adoro Te Devote

Adoro te devote, latens Deitas,
Quae sub his figuris vere latitas:
Tibi se cor meum totum subiicit,
Quia te contemplans totum deficit.

Visus, tactus, gustus in te fallitur,
Sed auditu solo tuto creditur.
Credo quidquid dixit Dei Filius:
Nil hoc verbo Veritatis verius.

In cruce latebat sola Deitas,
At hic latet simul et humanitas;
Ambo tamen credens atque confitens,
Peto quod petivit latro paenitens.

Plagas, sicut Thomas, non intueor;
Deum tamen meum te confiteor.
Fac me tibi semper magis credere,
In te spem habere, te diligere.

O memoriale mortis Domini!
Panis vivus, vitam praestans homini!
Praesta meae menti de te vivere
Et te illi semper dulce sapere.

Pie pellicane, Iesu Domine,
Me immundum munda tuo sanguine.
Cuius una stilla salvum facere
Totum mundum quit ab omni scelere.

Iesu, quem velatum nunc aspicio,
Oro fiat illud quod tam sitio;
Ut te revelata cernens facie
Visu sim beatus tuae gloriae.

Confira na íntegra:

http://www.osaopaulo.org.br/colunas/adoro-te-devote

Eu Vos Adoro

Eu vos adoro com devoção, ó Divindade escondida,
Que verdadeiramente oculta-se sob estas aparências:
A Vós, meu coração submete-se todo por inteiro,
Porque, vos contemplando, tudo desfalece.

A vista, o tato, o gosto falham com relação a Vós,
Mas, somente em vos ouvir em tudo creio.
Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus:
Nada mais verdadeiro que esta Palavra de Verdade.

Na cruz, estava oculta somente a vossa Divindade,
Mas aqui, oculta-se também a vossa Humanidade;
Eu, contudo, crendo e professando ambas,
Peço aquilo que pediu o ladrão arrependido.

Não vejo, como Tomé, as vossas chagas;
Entretanto, vos confesso meu Senhor e meu Deus.
Faça que eu sempre creia mais em Vós,
Em vós esperar e vos amar.

Ó memorial da morte do Senhor!
Pão vivo que dá vida aos homens!
Faça que minha alma viva de Vós
E que à ela seja sempre doce este saber.

Senhor Jesus, bondoso pelicano,
Lava-me, eu que sou imundo, em teu sangue.
Pois que uma única gota faz salvar
Todo o mundo e apagar todo pecado.

Ó Jesus, que velado agora vejo,
Peço que se realize aquilo que tanto desejo;
Que eu veja claramente vossa face revelada
Que eu seja feliz contemplando a vossa glória.




A via Cristã da união com Deus

Para encontrar a reta « via » da oração, o cristão deverá ter presente o que se disse precedentemente a propósito dos traços salientes da via de Cristo, cujo « alimento é fazer a vontade d’Aquele que (O) enviou e consumar a sua obra » (Jo. 4, 34). Jesus não vive uma união mais íntima e mais estreita com o Pai, do que esta, que, para Ele, se traduz continuamente numa oração profunda. A vontade do Pai envia-O aos homens, aos pecadores; mais: aos seus assassinos; e Ele não pode estar mais intimamente unido ao Pai do que obedecendo à sua vontade. O que não impede de nenhuma maneira que, no caminho terreno, Ele se retire também na solidão para rezar, para se unir ao Pai e receber d’Ele novo vigor para cumprir a sua missão no mundo. No Tabor, onde certamente Ele se une ao Pai de modo manifesto, é evocada a sua Paixão (cfr. Lc. 9, 31) e nem por um instante é tomada em consideração a possibilidade de permanecer em « três tendas » sobre o monte da Transfiguração. Qualquer oração contemplativa cristã reenvia continuamente ao amor do próximo, à ação e à paixão, e exatamente desta maneira aproxima de Deus em medida maior.

Para aproximar-se daquele mistério da união com Deus, que os Padres gregos chamavam divinização do homem, e para compreender com precisão as modalidades segundo as quais ela se realiza, é necessário ter presente, em primeiro lugar, que o homem é essencialmente criatura e tal permanece para sempre, de modo que jamais será possível uma absorção do eu humano pelo Eu divino, nem sequer nos mais elevados graus de graça. Deve-se, porém, reconhecer que a pessoa humana é criada « à imagem e semelhança » de Deus, e que o arquétipo desta imagem é o Filho de Deus, no Qual e pelo Qual fomos criados (cfr. Col. 1, 16). Ora este arquétipo desvela-nos o maior e o mais belo mistério cristão: o Filho é, desde toda a eternidade, « outro » em relação ao Pai e todavia, no Espírito Santo, é « da mesma substância »; por conseguinte, o fato de que exista uma alteridade não é um mal, mas, pelo contrário, o máximo dos bens. Existe alteridade no próprio Deus, que é uma só Natureza em Três Pessoas, e existe alteridade entre Deus e a criatura, que são por natureza diferentes. Finalmente, na sagrada eucaristia, como também nos outros Sacramentos — e analogamente nas suas obras e nas suas palavras —, Cristo dá-se-nos a si mesmo e torna-nos participantes da sua natureza divina sem suprimir, contudo, a nossa natureza criada, da qual Ele mesmo participa por meio da sua encarnação.

Se se consideram no seu conjunto estas verdades, descobre-se, com profunda admiração, que na realidade cristã se atuam, ultrapassando qualquer medida, todas as aspirações presentes na oração das outras religiões, sem que isto implique que o eu pessoal e a sua criaturalidade devam ser anulados e desaparecer no mar do Absoluto. « Deus é amor » (1 Jo. 4, 8): esta afirmação profundamente cristã pode conciliar a união perfeita com a alteridade entre o amante e o amado, em eterna « quase-troca » e eterno diálogo. Deus mesmo constitui este eterno diálogo, e nós podemos, com plena verdade, tornar-nos participantes de Cristo, como « filhos adotivos », e gritar com o Filho no Espírito Santo: « Abbá, Pai ». Neste sentido, os Padres têm totalmente razão quando falam da divinização do homem, o qual, incorporado em Cristo, Filho de Deus por natureza, se torna participante, pela sua graça, da natureza divina, « filho no Filho ». O cristão, recebendo o Espírito Santo, glorifica o Pai e participa realmente da Vida Trinitária de Deus.


Joseph Card. Ratzinger



Avisos para o exercício da meditação

Introdução

Tudo o que até aqui dissemos serviu para oferecer matéria de consideração para os que aprendem a meditar, o que é uma das principais partes deste tema. De fato, poucas pessoas possuem suficiente material para reflexão na meditação e, deste modo, por falta dele, não são poucos os que não conseguem dar-se a esta prática. Agora, porém, resta declarar abreviadamente a maneira e a forma pelas quais pode-se meditar. E. mesmo que nesta matéria o principal Mestre seja o Espírito Santo, todavia a experiência nos mostrou que são necessários alguns avisos, porque o caminho para ir a Deus é árduo e necessita de guia, sem o que muitos andam muito tempo perdidos e desencaminhados.

Primeiro Aviso

Seja, pois, este o primeiro aviso: que quando nos pomos a considerar algumas das coisas que já mencionamos como matéria de meditação em seus devidos tempos e exercícios, não devemos estar tão presos a estas matérias que consideremos como serviço mal feito deixarmos uma para tomarmos outra, quando nisto encontrarmos maior gosto ou maior proveito, porque, como a finalidade de tudo é a devoção, o que mais servir para este fim, será isto que se deve considerar como sendo o melhor. Porém isto não se deve fazer por motivos levianos, mas com vantagem conhecida. Sendo assim, se em alguma passagem de sua oração sentirmos maior gosto ou devoção do que em outro, detenhamo-nos nele por todo o espaço de tempo em que dure este afeto, mesmo que todo o tempo do recolhimento se gaste nisto. Porque, como o fim de tudo isto é a devoção, conforme já o explicamos, seria um erro buscar em outra parte, com esperança duvidosa, o que já temos como certo em nossas mãos.

Segundo Aviso

Seja o segundo aviso que trabalhe o homem para desculpar neste exercício a demasiada especulação do entendimento, e procure deixar este negócio mais com afetos e sentimentos da vontade que com discursos e especulações do entendimento. Porque sem dúvida não acertam este caminho aqueles que de tal maneira se põe na oração a meditar os Mistérios Divinos como se os estivessem estudando para pregar, o que seria mais derramar o espírito do que recolhê-lo e seria mais andar fora de si do que dentro de si. De onde nasce que, acabada a sua oração, ficam secos e sem suco de devoção, e tão fáceis e prontos para qualquer leviandade como o estavam antes. Porque a verdade é que tais pessoas de fato não oraram, mas falaram e estudaram, o que é coisa bem diversa da oração. Estes tais deveriam considerar que no exercício da oração mais nos aproximamos para escutar do que para falar. Para acertar, portanto, neste negócio, aproxime-se o homem com o coração de uma velhinha ignorante e humilde, e mais com a vontade disposta e aparelhada para sentir e afeiçoar-se às coisas de Deus do que com o entendimento esperto e atento para esquadrinhá-las, pois isto é próprio dos que estudam para saber, e não dos que oram e pensam em Deus para chorar.

Terceiro Aviso

O aviso anterior nos ensina como devemos sossegar o entendimento e entregar todo este negócio à vontade; mas o presente põe também sua taxa e medida à própria vontade, para que não seja excessiva nem veemente em seu exercício, para o qual deve-se saber que a devoção que pretendemos alcanças não é coisa que se há de alcançar à força de braços, como alguns pensam, os quais, com demasiado afinco e tristezas forçadas e como que por encantamentos procuram alcançar lágrimas e compaixão quando pensam na Paixão do Salvador, porque isto costuma mais secar o coração e torná-lo mais inábil para a visitação do Senhor, conforme ensina Cassiano. E ademais estas coisas costumam causar dano à saúde corporal, e às vezes deixam a alma tão atemorizada com o sensabor que ali alcançou, que teme retomar outra vez ao exercício como a algo que experimentou ter-lhe dado muita pena. Contente-se, pois, o homem com fazer de boa vontade o que é de sua parte, que é encontrar-se presente ao que o Senhor padeceu, admirando com olhar simples e sossegado e com um coração terno e compassivo e aparelhado para qualquer sentimento que o Senhor lhe quiser conceder pelo que Ele padeceu, mais disposto para receber o efeito que sua misericórdia lhe conceder do que para expressá-lo à força de braços. E, feito isso, não se aflija pelo restante, quando não lhe for dado.

Quarto Aviso

De tudo quanto foi dito podemos concluir qual é o modo da atenção que devemos ter na oração, porque aqui principalmente convém ter o coração não caído nem frouxo, mas vivo, atento e erguido para o alto. Mas assim como é necessário estar aqui com esta atenção regrada e moderada, para que não seja danosa à saúde nem impeça a devoção, porque há alguns que fatigam a cabeça com a demasiada força que empregam para estarem atentos ao que pensam, conforme já dissemos, assim também há outros que, para fugirem deste inconveniente, estão ali muito frouxos e remissos e muito fáceis de serem levados por todos os ventos. Para fugir destes extremos convém conduzir um meio termo que nem com a demasiada atenção fatiguemos a cabeça, nem com o muito descuido e frouxidão fiquemos vagando com o pensamento por onde ele bem entenda. De modo que, assim como costumamos dizer ao homem que caminha sobre uma besta maliciosa que mantenha as rédeas firmes, isto é, nem muito apertada nem muito frouxa, para que nem volte para trás, nem caminhe com perigo, assim devemos procurar que nossa atenção siga com moderação e não forçada, com cuidado mas não com fadiga e aflição. Mas particularmente convém avisar que no princípio da meditação não fatiguemos a atenção com demasiada atenção, porque quando isto se faz, mais adiante costumam faltar as forças, como faltam ao caminhante quando no princípio da jornada se entrega a uma demasiada pressa para caminhar.

6. Quinto Aviso

Mas entre todos estes avisos o principal é que não desanime aquele que ora, nem desista de seu exercício quando não sente imediatamente aquela suavidade da devoção que ele deseja. É necessário que com longanimidade e perseverança esperar a vinda do Senhor, porque à glória de Sua Majestade e à baixeza de nossa condição e à grandeza do negócio que tratamos pertence que estejamos muitas vezes esperando e aguardando às portas de seu palácio sagrado. Pois quando desta maneira tenhas aguardado um pouco de tempo, se o Senhor vier, dá-lhe graças por sua vinda e, se te parecer que não vem, humilha-te diante dEle, e conhece que não mereces o que não te deram, e contenta-te com ter feito ali o sacrifício de ti mesmo e negado a tua própria vontade e crucificado o teu apetite e lutado com o demônio e contigo mesmo, e feito pelo menos o que era de tua parte. E se não adoraste o Senhor com a adoração sensível que desejavas, basta que o tenhas adorado em espírito e em verdade, como Ele quer ser adorado (Jo. 4, 23). E creia-me, com certeza, que este é o caso mais perigoso desta navegação e o lugar onde se provam os verdadeiros devotos, e que se dele te saires bem, em tudo o demais seguirás prosperamente. Finalmente, se mesmo assim te perecesse que fosse tempo perdido perseverar na oração e fatigar a cabeça sem proveito, neste caso não teria por inconveniente que, depois de ter feito o que está em ti, tomasses algum livro devoto e trocasses então a oração pela lição, contanto que a leitura não fosse corrida nem apressada mas pausada e com muito sentimento quanto ao que estivesses lendo, misturando muitas vezes em seus lugares a oração com a leitura, o qual é coisa muito proveitosa e muito fácil de fazer para todo gênero de pessoas, mesmo que sejam muito rudes e principalmente neste caminho.

Sexto Aviso

Não é documento diverso do anterior, nem menos necessário avisar que o servo de Deus não se contente com qualquer gostozinho que encontre em sua oração (como fazem alguns que derramando uma lagrimazinha ou sentindo alguma ternura de coração, pensam que já cumpriram com o seu exercício). Isto não basta para o que aqui pretendemos. Porque assim como um pequeno filete de água não basta para que a terra frutifique, que não faz mais do que tirar a poeira e molhar a terra por fora, mas é necessária tanta água que desça até o íntimo da terra e a deixe encharcada de água para que possa frutificar, assim também aqui é necessária a abundância deste rio e desta água celestial para que possa dar fruto de boas obras. É por isto que com muita razão se aconselha que tomemos para este santo exercício o maior espaço de tempo que pudermos. E melhor seria um tempo longo do que dois tempos curtos, porque se o espaço é breve, todo ele será gasto em sossegar a imaginação e aquietar o coração, e depois de já quieto nos levantaremos do exercício quando o teríamos de começar. E descendo a maiores detalhes no que diz respeito a delimitar este tempo, parece-me que tudo o que for menos de uma hora e meia ou duas horas é um tempo muito curto para a oração, porque muitas vezes se passa mais do que meia hora em moderar o caminho e acalmar a imaginação e todo o restante do tempo é necessário para gozar do fruto da oração. É verdade que quando este exercício é feito depois de alguns outros santos exercícios, como depois do ofício das matinas ou depois de ter assistido ou celebrado missa ou depois de alguma leitura devota ou oração vocal, o coração se encontra mais disposto para este negócio e, assim como ocorre com a lenha seca, mais rapidamente se acende este fogo celestial. Também o tempo da madrugada costuma ser mais curto porque é o mais aparelhado que existe de todos quantos há para este ofício. Mas o que for pobre de tempo por causa de suas muitas ocupações, não deixe de oferecer seu quinhãozinho com a pobre viúva do Templo (Lc. 21, 2), porque se isto não ocorre por sua negligência, Aquele que provê a todas as suas criaturas conforme a sua necessidade e natureza, prove-lo-á também segundo a sua.

Sétimo Aviso

Conforme a este documento se dá outro semelhante a ele, e é que quando a alma for visitada na oração, ou fora dela, com alguma visita particular do Senhor, que não a deixe passar em vão, mas que se aproveite daquela ocasião que se lhe oferece, porque é certo que com este vento navegarão homem mais em uma hora que sem Ele durante muitos dias. Assim se diz que o fazia São Francisco, de quem escreve São Boaventura em sua vida que era tão especial o cuidado que tinha nisto que se ao andar pelo caminho nosso Senhor o visitava com algum favor especial, fazia ir adiante todos os companheiros e permanecia quieto até acabar de ruminar e digerir aquele bocado que lhe vinha do céu. Os que assim não o fazem costumam comumente ser castigados com esta pena, a de que não encontram a Deus quando o buscarem, porque quando Ele os buscava não os encontrou.

Oitavo Aviso

O último e mais principal aviso seja que procuremos neste santo exercício juntar em uma só coisa a meditação com a contemplação, fazendo da primeira a escada para subir até a segunda, para o que deve- se saber que o ofício da meditação consiste em considerar com estudo e atenção as coisas divinas discorrendo de umas para as outras para mover nosso coração a algum efeito e sentimento das mesmas, que é como quem fere uma pedra para arrancar dela alguma centelha. Mas a contemplação consiste em já ter arrancado esta centelha, quero dizer, já ter encontrado este efeito e sentimento que se buscava, e estar em repouso e silêncio em seu gozo, não com muitos discursos e especulações do entendimento, e sim com uma simples vista da verdade, por causa do que diz um santo doutor que a meditação discursa com trabalho e com fruto, mas a contemplação o faz sem trabalho e com fruto; a primeira busca, enquanto que a segunda encontra; a primeira rumina a comida, enquanto que a segunda a degusta; a primeira discorre e tece considerações, enquanto que asegunda se contenta com uma simples vista das coisas, porque já possui o amor e o gosto das mesmas; finalmente, a primeiro é como um meio, enquanto que a segundo é como um fim; a primeira é como caminho e movimento, enquanto que a segunda é como o término deste caminho e movimento.

Daqui se conclui uma coisa muito comum, que é ensinada por todos os mestres da vida espiritual, ainda que pouco entendida por parte dos que a lêem, a saber, que assim como ao se alcançar um fim cessam os meios, assim como chegando ao porto cessa a navegação, assim também quando o homem, mediante o trabalho da meditação, chegar ao repouso e ao gosto da contemplação, deve então cessar daquela piedosa e trabalhosa investigação. E contente com uma simples vista e memória de Deus, como se o tivesse presente, tomar posse daquele afeto que se lhe é dado, seja ora de amor, ora de admiração ou de alegria ou coisa semelhante. A razão pela qual isto se aconselha está em que, como o fim de todo este negócio consiste mais no amor e nos afetos da vontade do que na especulação do entendimento, quando a vontade já está presa e tomada deste afeto, devemos dispensar todos os discursos e especulações do entendimento, na medida em que nos seja possível, para que nossa alma com todas as suas forças se empregue nisto sem derramar-se pelos atos de outra potência. E por isso aconselha um doutor que assim que o homem sentir-se inflamado do amor de Deus, deve logo deixar todos estes discursos e pensamentos, por mais altos que possam parecer, não porque sejam maus, mas porque neste caso se tornam impedimentos de outro bem maior, o que não é outra coisa mais do que cessar o movimento quando se chega ao seu término e deixar a meditação por amor da contemplação. Pode-se assinalar que isto pode ser feito no fim de todo o exercício, depois de se pedir o amor de Deus, de que antes já havíamos tratado, pelos seguintes dois motivos. Primeiro, porque pressupõe-se que neste momento o trabalho já feito no exercício terá dado à luz a algum efeito e sentimento de Deus, e, como diz o Sábio, mais vale o fim da oração do que o seu princípio (Eccles. 7,7). Segundo, porque depois do trabalho da meditação e da oração é razoável que o homem dê um pouco de folga ao entendimento e o deixe descansar nos braços da contemplação. Neste tempo, portanto, abandone o homem todas as imaginações que se lhe oferecerem, cale o entendimento, aquiete a memória e fixe-a em Nosso Senhor, considerando que está diante de sua presença e não especulando em particularidades das coisas divinas. Contente-se com o conhecimento que ele possui de Deus pela fé e aplique a sua vontade e amor, pois somente este o abraça e nele está o fruto de toda a meditação, pois o entendimento quase nada alcança do que se pode conhecer de Deus ao passo que a vontade pode amá-Lo muito. Encerre-se dentro de si mesmo no centro de sua alma onde está a imagem de Deus, e ali esteja atento a Ele, como quem escuta ao que fala a partir de alguma elevada torrem ou como quem o tivesse dentro de seu coração, e como se em toda a criação não houvesse mais nada senão somente ela ou somente ele. E mesmo de si mesma e do que faz deveria esquecer-se, porque, como dizia um daqueles Padres, a perfeita oração é aquela onde o que está orando não se recorda que está orando. E não somente no fim do exercício, como também no meio e em qualquer outra parte em que nos tomar este sonho espiritual, quando o entendimento está como que adormecido da vontade, devemos fazer esta pausa, gozar deste benefício e retornar ao nosso trabalho ao acabar de digerir e degustar aquele bocado. É assim que faz o jardineiro quando rega a sua terra a qual, depois de tê-la enchido de água, suspendo o jorro da corrente e deixa empapar e difundir-se pelas entranhas da terra seca o que esta recebeu e, uma vez feito isto, volta a soltar o jorro da fonte, para que receba mais e mais e fique melhor regada. Mas o que então a alma sente, o que goza da luz, da fartura, da caridade e da paz que recebe, não se pode explicar com palavras, pois aqui está a paz que excede todo o sentido e a felicidade que nesta vida se pode alcançar. Há alguns tão tomados pelo amor de Deus que tão logo tenham começado a pensar nEle a memória de seu doce nome lhes derrete as entranhas. Estes têm tão pouca necessidade de discursos e considerações para amá-Lo como a mãe ou a esposa para regalar-se com a memória de seu filho ou esposo quando lhe falam dele. Há outros também que não somente no exercício da oração, como também fora dele, andam tão abosortos e tão empapados de Deus, que de todas as coisas e de si mesmos se esquecem por causa dEle pois, se isto o pode muitas vezes o amor furioso de um perdido, quanto mais não o poderá o amor daquela infinita beleza, se não é menos poderosa a graça do que a natureza e do que a culpa? Pois quando a alma o sentir, em qualquer parte da oração em que o sinta, de nenhuma maneira o deve menosprezar, mesmo que todo o tempo do exercício se gastar nisso, sem rezar ou meditar nas outras coisas que lhe estavam determinadas, a não ser que estas lhes fossem obrigatórias, porque assim como diz Santo Agostinho que deve-se deixar a oração vocal quando esta em alguma circunstância fosse impedimento da devoção, assim também deve-se deixar a meditação quando fosse impedimento da contemplação. De onde que também deve-se muito notar que assim como nos convém deixar a meditação pelo afeto para subir do menos ao mais, assim também, pelo contrário, às vezes convirá deixar o afeto pela meditação, quando o afeto fosse tão veemente que se temesse perigo para a saúde perseverando nela, como muitas vezes acontece aos que, sem este aviso, se entregam a estes exercícios e os tomam sem discrição, atraídos pela força da divina suavidade. E em um caso como este, diz um doutor, é bom remédio entregar-se a algum afeto de compaixão, meditando um pouco na Paixão de Cristo, ou nos pecados e nas misérias do mundo, para aliviar e desafogar o coração.


São Pedro de Alcântara



Excertos: Opúsculo sobre o modo de aprender e de meditar

A humildade é necessária ao que deseja aprender.

A humildade é o princípio do aprendizado, e sobre ela, muita coisa tendo sido escrita, as três seguintes, de modo principal, dizem respeito ao estudante.

A primeira é que não tenha como vil nenhuma ciência e nenhuma escritura. A segunda é que não se envergonhe de aprender de ninguém. A terceira é que, quando tiver alcançado a ciência, não despreze aos demais. Muitos se enganaram por quererem parecer sábios antes do tempo, pois com isto envergonharam-se de aprender dos demais o que ignoravam. Tu, porém meu filho, aprende de todos de boa vontade aquilo que desconheces. Serás mais sábio do que todos, se quiseres aprender de todos. Nenhuma ciência, portanto, tenhas como vil, porque toda ciência é boa. Nenhuma Escritura, ou pelo menos, nenhuma Lei desprezes, se estiver à disposição. Se nada lucrares, também nada terás perdido. Diz, de fato, o Apóstolo:

"Omnia legentes, quae bona sunt tenentes". I Tess. 5

O bom estudante deve ser humilde e manso, inteiramente alheio aos cuidados do mundo e às tentações dos prazeres, e solícito em aprender de boa vontade de todos. Nunca presuma de sua ciência; não queira parecer douto, mas sê-lo; busque os ditos dos sábios, e procure ardentemente ter sempre os seus vultos diante dos olhos da mente, como um espelho. Três coisas necessárias ao estudante. Três coisas são necessárias ao estudante: a natureza, o exercício e a disciplina. Na natureza, que facilmente perceba o que foi ouvido e firmemente retenha o percebido. No exercício, que cultive o senso natural pelo trabalho e diligência. Na disciplina, que vivendo louvavelmente, componha os costumes com a ciência.

Hugo de São Vítor



O estudo deve ser um deleite

"Saiba também que não chegará ao seu propósito se, movido por um vão desejo de ciência, dedicar-se às escrituras obscuras e de profunda inteligência, nas quais a alma mais se preocupa do que se edifica. Para o filósofo cristão, o estudo deve ser uma exortação, e não uma preocupação; deve alimentar os bons desejos, e não secá-los. Como gostaria de mostrar àqueles que se puseram ao estudo por amor da virtude, e não das letras, o quanto é importante para eles que o estudo não lhes seja ocasião de aflição, mas de deleite. Quem, de fato, estuda as Escrituras como preocupação e, por assim dizer, as estuda para aflição do espírito, não é filósofo, mas negociante, e dificilmente uma intenção tão veemente e indiscreta poderá estar isenta de soberba. Deve-se considerar também que o estudo de duas maneiras costuma afligir o espírito, a saber, pela qualidade, se se tratar de um material muito obscuro, e pela sua quantidade, se houver demais para estudar. Em ambos estes casos deve-se utilizar de grande moderação, para que não aconteça que aquilo que é buscado como uma refeição venha a ser utilizado para sufocar-nos. Há aqueles que tudo querem estudar; tu não contendas com eles, seja-te suficiente a ti mesmo: que nada te importe se não tiveres lido todos os livros. O número de livros é infinito, não queiras seguir o infinito. Onde não existe o fim, não pode haver repouso; onde não há repouso, não há paz; e onde não há paz, Deus não pode habitar".

Didascalion V, 7 (Hugo de São Vitor)



Genealogia espiritual Santo Tomás de Aquino

Tal como muitos outros teólogos de sua época, Santo Tomás de Aquino principiou escrevendo um vastíssimo Comentário aos Quatro Livros das Sentenças de Pedro Lombardo, obra que, embora ainda dependesse do texto do Mestre das Sentenças, já continha a arquitetura da futura Summa Theologiae. Entre os trinta anos, quando escreveu o Comentário às Sentenças, e os cinqüenta, quando terminava a Summa, Santo Tomás ocupou-se em comentar quase todos os livros das Sagradas Escrituras, o melhor da obra de Boécio e de Dionísio Areopagita, e praticamente toda a obra de Aristóteles. Preparou-se, ademais, quase como se estivesse ensaiando, para a redação da Summa Theologiae através de dois monumentais trabalhos, semelhantes ao espírito do Comentário aos Livros das Sentenças, mas já totalmente independentes do texto de Pedro Lombardo. Foram estes, na linha da análise, as diversas Quaestiones Disputatae, provavelmente os textos mais complexos de Santo Tomás de Aquino, e, na linha da síntese, a Summa contra Gentiles. Tudo isto, unido a uma vida espiritual de grande intensidade, convergiu, no final da vida de Tomás de Aquino, para a elaboração da Summa Theologiae, sua principal obra.

Do opúsculo sobre o Preceito do Amor:

O amor que causa no homem a vida espiritual e a iluminação do coração, que produz a perfeita paz e o conduz à felicidade da vida eterna é inteiramente dom de Deus. `Não fomos nós que amamos a Deus, mas Ele que nos amou primeiro', diz o Apóstolo João, porque não por causa de nós o amarmos primeiro que Ele nos amou, mas o próprio fato de o amarmos é causado em nós pelo seu amor. E é somente segundo a diferença deste amor que será a diferença da bem aventurança celeste; muitos houve que fizeram maiores jejuns do que os apóstolos, mas estes na eterna glória superarão a todos os outros por causa da excelência de seu amor. Já que, portanto, é o amor algo tão importante, devemos trabalhar diligentemente para adquirí-lo e retê-lo. Embora ninguém possa por si mesmo possuir o amor, pois é dom inteiramente proveniente de Deus, deve-se considerar, todavia, que para possuí-lo requer-se a disposição de nossa parte. Por isso, devemos saber que duas coisas são necessárias para adquirir a caridade. A primeira é a escuta diligente da palavra de Deus, o que é suficientemente manifesto pelo que ocorre entre nós. Ouvindo, de fato, coisas boas de alguém, somos acesos em seu amor. Assim também, ouvindo as palavras de Deus, somos acesos em seu amor:

"A tua palavra é um fogo ardente, e o teu servo a amou". Salmo 118, 140.

E também:

`A palavra de Deus o inflamou'. Salmo 104.

Por esta causa aqueles dois discípulos, ardendo do amor divino, diziam:

"Porventura não ardia em nós o nosso coração, enquanto nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?". Luc. 24.

De onde que também no décimo de Atos, se lê que `Pregando Pedro, o Espírito Santo caiu nos ouvintes da palavra divina'. E o mesmo freqüentemente acontece nas pregações, isto é, que os que se aproximam com o coração duro, por causa da palavra da pregação, são acesos ao amor divino.

A segunda é a contínua consideração dos bens recebidos: "Aqueceu-se o meu coração dentro de mim". Salmo 38

Se, portanto, queres conseguir o amor divino, meditarás os bens recebidos de Deus. Demasiadamente duro seria, na verdade, quem considerando os benefícios divinos que alcançou, os perigos dos quais escapou, e a bem aventurança que lhe é prometida por Deus, que não se acendesse ao amor divino. De onde que diz Santo Agostinho: `Dura é a alma do homem que, posto que não queira impedir o amor, não queira pelo menos retribuir'. E, de modo geral, assim como os pensamentos maus destróem a caridade, assim os bons a adquirem, a alimentam e a conservam, de onde que nos é ordenado:

`Retirai os vossos maus pensamentos dos meus olhos'. Is. 1

E também:

Os pensamentos perversos separam de Deus'. Sab. 1

Dos vários prólogos da Summa Theologiae: "Aquele a quem incumbe o dever de ensinar não deve instruir somente os adiantados, mas também preocupar-se em auxiliar os principiantes, conforme diz o Apóstolo na primeira aos Coríntios: `Como crianças em Cristo, dei-vos leite a beber, e não somente carne'. Deste modo, nossa intenção nesta obra será oferecer tudo quanto pertence à religião cristã de um modo que seja adequado à instrução dos principiantes. Consideramos que os iniciantes nesta ciência costumam ser impedidos em seu adiantamento por diversos motivos. Em parte isto se deve à multiplicação das questões inúteis, em parte à ordem com que são apresentadas, e também em parte devido à freqüente repetição que gera o tédio e a confusão na alma dos estudantes. Para poupá-los destes e de outros inconvenientes, buscamos, confiando no auxílio divino, expor o que diz respeito à Ciência Sagrada de modo breve e claro, tanto quanto o permita a matéria.

O principal propósito da Ciência Sagrada consiste em trazer o conhecimento de Deus, não apenas no que Ele é em si mesmo, mas também na medida em que Ele é o princípio e o fim de todas as coisas, e de modo especial da criatura racional. Por este motivo tencionamos expor esta ciência em três partes. Trataremos em primeiro lugar de Deus, considerado em sua essência, na distinção de suas Pessoa e na origem das criaturas a partir dEle. Consideraremos, em segundo lugar, a criatura racional, segundo a inclinação que esta possui para Deus. Tendo já tratado do Exemplar, que é Deus, e das coisas que procedem de Deus segundo a sua vontade, trataremos então do homem, sua imagem, na medida em que esta imagem implica um ser inteligente, dotado de livre arbítrio e princípio de suas ações.

Finalmente, para completar nosso trabalho, depois de termos considerado o fim último do homem, as virtudes, e a vida ativa e contemplativa, trataremos de Cristo, na medida em que, em sua humanidade, constituiu-se para nós no caminho para Deus, Ele que, conforme anunciado pelo anjo, `para salvar seu povo do pecado', mostrou-nos em sua própria Pessoa o caminho da verdade por onde poderemos alcançar a felicidade da vida eterna ressurgindo por meio dEle". Da Terceira Parte da Summa Theologiae: "Ensinar é o mesmo que tornar perfeito, o que pode realizar-se de muitos modos.Temos, primeiramente, o ensino que consiste em conduzir à fé. Além dele há também o ensino pelo qual são transmitidos os rudimentos da fé e o modo de receber os sacramentos. De um terceiro modo, o ensino é uma instrução sobre a conduta da vida cristã. Mas, em seu sentido mais pleno, a instrução mais perfeita é aquela que abarca a profundidade dos mistérios da fé e a perfeição da vida cristã".